18 de junho de 2008

Posso ajudar?

Não sei como tem gente que atura aqueles vendedores que, assim que você entra na loja, já estão esperando perto da porta, prontos para dar o bote:

- Bom dia, posso ajudá-la?
- Que susto você me deu, minha filha!
- Desculpe-me.
- Oh, não se desculpe. Eu estava mesmo perdida em pensamentos...
- Ah, claro. Posso ajudá-la?
- Por quê? Estou com cara de quem precisa de ajuda?
- Não! Eu só estava...
- Está tão aparente assim?
- Não, é que a senhora...
- Sabe o que é, minha filha? Meu cachorro suicidou-se.
- Suicidou-se?!
- Isso. Pulou da janela, coitado; andava muito tristinho desde que acabou a novela Carrossel.
- Aquela do Jaime Palilo?
- Isso! Ele adorava o Cirilo. Lembra quando o pai dele ganhou na loteria?
- Lembro...
- Foi o episódio favorito do João.
- João?
- Meu cachorro. Ele não parava de latir de alegria em frente à televisão, vendo o menino passear em seu carrinho!
- Bom... A senhora está procurando alguma coisa para dar de presente ao seu marido?
- Oh, minha filha, eu não me casei. Você é casada?
- Não.
- Mas você ainda é virgem, não é?
- A... A senhora não estava falando do seu cãozinho?
- Ah, sim! Sinto muita falta dele.
- A senhora pode ficar à vontade, que eu só vou ali atender a outro cliente.
- Não se prenda por minha causa, minha filha.
- Qualquer coisa é só me chamar.

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