26 de janeiro de 2009

Sonhos

Coisa chata é alguém tentar te contar como foi um sonho que teve:

- Cara, você não vai acreditar no sonho que eu tive essa noite!
- Nem precisa me contar, porque eu não tenho saco para ouvir esse tipo de coisa...
- O quê?
- O sonho que você teve, uai...
- Por quê?
- Porque sonhos são desconexos e, sem uma interpretação profunda, não fazem sentido algum, como os filmes do David Lynch.
- Putz, eu me sinto um completo retardado ao assistir os filmes dele.
- Eu gosto dos filmes dele...
- Eu não. Posso te contar o sonho?
- Não, mas conta, porque você vai ficar me enchendo o saco de qualquer jeito mesmo...
- O lance é o seguinte: eu estava em casa, mas não era bem a minha casa. Era uma outra casa, mas era a minha casa, entendeu?
- Entendi, mas continua, senão você não termina hoje.
- Aí eu fui tomar água, mas a torneira estava estragada.
- Você toma água da torneira?
- Não, mas no sonho eu tomava.
- Saquei. Então você consertou a torneira, tomou a água e acordou com vontade fazer xixi.
- Não... Deixa eu contar, pô! Como a torneira estava estragada, eu fui pegar água gelada. Quando abri a porta da geladeira, meu rosto ficou torto.
- Putz! Ninguém fica com o rosto torto por abrir a porta da geladeira.
- Eu tinha tomado banho quente antes.
- Mas você não me contou isso.
- É porque eu só descobri que tinha tomado banho quente quando abri a porta da geladeira.
- Nó...
- Onde eu estava mesmo?
- Na cozinha, abrindo a porta da geladeira...
- Isso, mas a geladeira ficava no banheiro.
- Hã?
- A geladeira ficava no banheiro.
- OK... Continua.
- Aí, como eu já tinha falado, assim que abri a porta da geladeira, o meu rosto ficou torto.
- Meio assim?
- Não... Tipo o Sloth, do filme dos Goonies.
- Baby Ruth!
- Quê?
- Você não lembra do filme?
- Lembro um pouco...
- Slooooth... Chunck!
- Ai, fiédazunha! Vai socar o braço da sua avó!
- Dessa parte você lembra, né?
- Lembro, mas posso terminar de contar meu sonho, por favor?!
- Eu não sou o Freud pra ficar analisando seu sonho, mas pode...
- Continuando... Com o rosto torto...
- Igual ao Sloth...
- Isso, e eu fui para o hospital...
- Qual?
- Sei lá!
- Às vezes, nesse sonho, existia algum hospital específico para tratar de gente que ficou com o rosto igual ao do Sloth...
- Bem que podia, mas não era o caso. Era um hospital normal... Bom, tirando o fato de que ele se parecia com um posto de gasolina.
- Bem normal mesmo. Sem querer ser chato, mas esse sonho não acaba?
- Acaba, mas você não me deixa terminar...
- Beleza... Vou ficar quieto, então.
- Bom, enquanto esperava, eu fiquei pulando num pogobol...
- Putz, do fundo do baú esse!
- Pois é. Voltando ao sonho... Depois do pogobol, me levaram para um corredor, onde um médico chegou e gritou bem alto à minha frente: "Você está com a cara torta!!!"
- Por quê?
- Vai ver ele achava que eu não sabia o motivo pelo qual estava ali.
- Pode ser.
- Não lembro depois do que rolou... Só sei que acabei parando num quarto, no qual o Lima Duarte estava internado.
- Sério?
- Sério. Ele olhou pra mim e sussurrou baixinho...
- "Eu quero melão..."
- Não.
- O que ele sussurrou, então?
- Não sei. Ele morreu logo depois.
- Sem mais nem menos?
- É.
- Sem graça demais.
- Eu não achei.
- Claro que não. Do contrário, não teria ficado esse tempo todo me contando...
- Pois é. Será que você poderia perguntar pra Fernanda o que pode significar esse sonho?
- Não. Já chega eu ter que ouvir uma bobagem sem fim igual a essa.

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