21 de abril de 2009

Mãe é mãe

Toda mãe coruja tem o costume de (re)apresentar os filhos às amigas com quem não se encontram há anos. Normalmente isso ocorre em festas grandes ou qualquer outro tipo de evento que atraia pessoas que não se vêem há muito tempo, como velórios:

- Eulália, você conhece os meus filhos? Esse aqui é o Augusto e aquele ali é o Rafael. Vem cá, Rafael, para a Eulália te conhecer!
- Nossa, como cresceram! Eu me lembro deles quando ainda eram pequenos...

E então a amiga da mãe coruja lança um olhar lascivo e sacana ao filho de sua amiga, e manda:

- Já troquei muita fralda sua, sabia? Passei muito talco nessa bundinha.
- A Eulália vivia lá em casa quando você era pequeno. Você se lembra dela?
- Provavelmente não, querida. Ele era um bebezinho apenas...
- Ela cuidou bastante de você enquanto eu fazia outras coisas.
- Pois é. Já te dei muito banho... Cansei de te ver pelado!

O filho, bastante incomodado com o rumo da conversa, dá uma desculpa esfarrapada qualquer e se afasta, para tentar apagar da mente a imagem daquela senhora tarada lhe dando banho. Entretanto, a mãe coruja acaba sempre encontrando outra amiga com quem ainda não conversou durante a festa, e as apresentações se repetem.

O problema é que a mãe coruja não faz isso para deixar os filhos sem graça. Ela os apresenta porque têm orgulho do quanto são inteligentes e bonitos, mesmo que não o sejam. Inclusive, minha mãe é um exemplo dessas mães corujas que gostam de apresentar os filhos a todo mundo. O interessante é a forma como ela nos apresenta:

- Este aqui é o Gustavo, o mais velho. Este é o Fábio, que eu te falei que é advogado. Esse é o Bernardo, que está estudando medicina na UFMG, e aquele é o Daniel, o mais novo.

Tudo bem que a análise de sistemas não é tão pomposa quanto o direito ou a medicina, mas é uma profissão digna e limpinha. Pelo menos, ao ser apresentado apenas como "o mais velho", eu evito situações do tipo:

- Esse aqui é o Gustavo. Ele é analista de sistemas.
- O que?
- Analista de sistemas.
- Ah...
- Ele mexe com computador.
- Nossa, menino, quem sabe você pode me ajudar! Meu Outlook está dando problema lá em casa, e eu não sei mais o que fazer! Eu estou tentando mandar um PowerPoint para uma amiga minha, e só fica aparecendo uma mensagem de erro lá... Meu sobrinho já tentou ver o que era, mas não conseguiu. Você não quer dar uma passada lá em casa um dia desses, para dar uma olhadinha?

A pior dessas situações aconteceu com um colega meu, no início de sua adolescência. Lá estava ele em uma festa de família, quando sua mãe o chamou para ser apresentado a uma amiga mais "extrovertida":

- Olha só, Vânia, como o Alexandre cresceu!
- Nossa, Carmem! Já é um rapazão, hein?
- Pois é. Esses meninos crescem rápido, hoje em dia, né? Esse aqui já está até mudando de voz!
- É mesmo? Aposto que já está cheio de cabelo no saco, não é, Alexandre?
- Está nada! Outro dia eu vi, e tinha só um "bigodinho"...
- Que gracinha, né? Como crescem rápido!
- Nem me fale...

Um comentário:

Daniel disse...

É verdade só pq faço publicidade sou o mais novo