24 de junho de 2010

Mãe, só tem uma

- Nossa, que menino bonito! É seu filho?
- É.
- Dá ele pra mim?
- Dou. Pode levar.
- Hehehe.
- Estou falando sério. Pode levar.
- Err... Eu estava brincando.
- Mas agora você vai ter levá-lo.
- Hã?
- Só aceito devolução depois dele ter concluído a faculdade.
- Mas...
- Faça o favor de convencê-lo a fazer medicina. Ele botou na cabeça que quer fazer publicidade ou computação, mas eu já falei que isso não dá futuro. Direito também é uma boa opção.
- Acho que você não entendeu direito. Era só um elogio que eu estava fazendo ao seu filho.
- Ao SEU filho, agora. O nome dele é Marcos, a propósito. Qual é o seu?
- O quê?
- Você é surda? QUAL... É... O... SEU... NO-ME?
- Cleide.
- O nome dela é Cleide, viu, Marcos? O nome da sua nova mãe é Cleide. Prestou atenção, garoto?
- Isso só pode ser brincadeira... Aposto que tem uma câmera escondida em algum lugar. Onde está o Sérgio Mallandro?
- Hein?
- Aposto que daqui a pouco ele aparece e grita: "Rá! Pegadinha do Mallandro!"
- Olha, toma a mão dele que eu estou com pressa. Vai, Marcos, pega a mão da sua mãe!
- A senhora está cometendo um grande engano.
- Foi muito bom conversar com você, mas já está na hora de ir. Tchau, Marcos.
- Mas...
- Belo garoto, hein? Deve ter puxado o pai.
- M-mas...
- Posso ficar com ele?
- Hã? O q... Claro! O filho é seu, minha senhora!
- O quê? Você enlouqueceu? Onde já se viu alguém sair por aí dando o próprio filho para qualquer um? Contenha-se, minha querida, ou eu vou chamar a polícia para você! Vê se pode...

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