9 de agosto de 2013

Descobrindo Lisboa - Oceanário

Casal Geek Eurotour 2013 - Descobrindo Lisboa - Oceanário

Quando eu era criança havia um aquário na casa da minha mãe. Não era meu, mas também não era de ninguém em específico. Era "da casa". Só que fui eu que durante algum tempo o recheei com guppies comprados com o dinheiro do lanche em uma extinta lojinha de peixes e flores da Praça Duque de Caxias. Era uma época muito anterior à existência dos tamagotchis, e aqueles peixes barrigudos não apitavam quando estavam com fome. Assim, acabaram sofrendo um fim parecido com o do bichinho eletrônico que meu irmão mais novo teve anos depois, com a diferença de que ninguém precisou dar descarga naquele ovo de plástico amarelo.

Como meu interesse em me tornar uma potência dos criadores mirins de peixes minguou, acabei deixando o aquário de lado até que um dia ele foi esvaziado, guardado em algum canto pouco acessado da casa, onde ficou algum tempo até ser jogado fora. Mas eu ainda gostava de aquários. Gostava de imaginar aventuras no fundo do mar - muitas delas vividas pelos meus Comandos em Ação ao explorar as profundezas daquelas águas habitadas por perigosos guppies de cauda colorida - e de sonhar em vestir um escafandro para mergulhar entre ruínas submersas.

Acontece que aquela criança de espírito aventureiro cresceu para se tornar este adulto meio avesso a esse tipo de coisa, e o mais próximo que eu pretendo chegar de um tubarão é o que cheguei em nossa visita ao Oceanário de Lisboa.

Oceanário de Lisboa

No site do aquário dizem que a estação de metrô mais próxima é a Oriente, mas uma consulta ao Google Maps acabou indicando que o melhor seria saltarmos na estação Cabo-Ruivo, localizada em uma avenida meio monótona da região mais nova da cidade, e dali seguirmos praticamente em uma linha reta até a Doca dos Olivais, no Parque das Nações.

Para visitantes de 13 a 64 anos a entrada tem o valor de 13,00 € para o acesso à exposição permanente, e de 16,00 € para o acesso às exposições temporária e permanente. Com o Lisboa Card, o bilhete tem um desconto de 15% no valor.

O complexo foi inaugurado em 1998 e é composto de dois edifícios, o Edifício do Mar, que abriga a exposição temporária, e o Edifício dos Oceanos, que é rodeado por água e abriga a exposição permanente.

Oceanário de Lisboa - Tartarugas Marinhas: A Viagem

Começamos a nossa visita pela exposição temporária, Tartarugas Marinhas: A Viagem. Lá dentro a luz era bem fraca, e a escuridão só não se fazia completa porque as paredes são cortadas por belos aquários iluminados, verdadeiras janelas para o mundo destas tartarugas. Em meio ao corre-corre de crianças que haviam chegado com uma excursão de escola, descobrimos a entrada de um nicho bem baixo e lá tivemos uma experiência muito bacana, pois assim que nos sentamos uma gigantesca tartaruga marinha passou nadando sobre nossas cabeças, flutuando leve e lentamente como se as suas centenas de quilos não fossem nada.

Ficamos ali um bom tempo, praticamente dentro do aquário de corais coloridos. As crianças lá fora, ainda muito agitadas com tanta coisa para ver, pareciam distantes de tão tranquilo era estar sentado naquele sofá confortável, só observando o movimento preguiçoso das peixes, raias e tartarugas, que certamente também nos viam através do vidro.

Oceanário de Lisboa - Lontra Marinha

Da exposição temporária, que por si só já valeu muito a pena conhecer, passamos para o Edifício dos Oceanos, atravessando a ponte que o liga à "terra firme". Diferente do que esperávamos, logo no início da volta pelo Oceanário nós encontramos... aves! Sob a luz natural que entrava pelo teto de vidro, tordas-mergulhadeiras, araus-comuns e papagaios-do-mar descansavam sobre as pedras que simulam as encostas rochosas dos Açores, em referência ao habitat do Atlântico norte.

Ainda no Nível Terrestre, seguimos em direção às áreas que simulam os litorais do Antártico, repleto de pinguins agitados e curiosos, Pacífico, com suas lontras preguiçosas, e Índico, o único tomado por uma vegetação densa e colorida, mas sem habitantes da superfície. Dos corredores que ligam os quatro ambientes pode-se vislumbrar o gigantesco tanque central, e lá de cima o visual já impressiona, pois tubarões, raias e até um improvável peixe-lua desfilam diante do vidro grosso do aquário.

Descendo ao Nível Subaquático a visita fica ainda mais interessante, pois lá podemos ver como são os habitats do Oceanário sob a superfície. Permeando os quatro ambientes ainda temos o onipresente tanque central, só que agora parece que todos são um único aquário, um único oceano.

Oceanário de Lisboa

Se já é hipnotizante ficar em frente a um aquário, imagine quando ele tem paredes de 49m² e abriga cerca de 100 espécies diferentes, algumas das quais podendo chegar até 4m de comprimento. Assim, não é de se espantar que o Oceanário de Lisboa seja um dos lugares mais visitados de Portugal, recebendo cerca de 1 milhão de pessoas por ano.

- Ouvindo: Morcheeba - The Sea

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