13 de setembro de 2013

Descobrindo Lisboa - Castelo de São Jorge

Casal Geek Eurotour 2013 - Descobrindo Lisboa - Castelo de São Jorge

O elétrico 28E descia uma das ladeiras do Chiado, em um lento sacolejar que se fazia acompanhar de preguiçosos estalos e rangidos do interior de madeira do veículo, convidando os olhos a fechar. Dos meios de transporte público de Lisboa, o bonde - um verdadeiro ponto turístico ambulante da cidade - é certamente o mais pitoresco, e atrai uma grande quantidade de turistas muitas vezes a caminho do Castelo de São Jorge, como era o nosso caso.

Saltamos no Largo das Portas do Sol, onde fizemos uma rápida parada para conferir uma das mais belas vistas da cidade às margens do Tejo, e seguimos por travessas íngremes ladeadas por edifícios centenários, alguns com a alvenaria exposta por baixo do reboco como feridas abertas provocadas pela ação do tempo. Aqui e ali, em meio a varais instalados à frente de janelas e varandas, alienígenas antenas de TV por assinatura aludiam à simbiose entre o novo e o antigo que define uma cidade como Lisboa.

Castelo de São Jorge

Construído em meados do século XI, o Castelo de São Jorge é fruto de uma reorganização da cidadela original no período em que a região vivia sob o domínio islâmico, mas há vestígios de ocupação da área que datam do século VII a.C., durante a Idade do Ferro. Suas muralhas abrigam uma área residencial e o castelo propriamente dito, cuja entrada tem desconto de 20% com o Lisboa Card.

Em meio à Praça de Armas, o grande pátio na entrada do castelo, a estátua de D. Afonso Henriques - primeiro rei de Portugal e o responsável por comandar a retomada da cidade das mãos dos mouros no início do século XII - fita os novos invasores de espada em punho e um escudo ao seu lado.

Não parecia, mas ali estávamos em um dos pontos mais altos de Lisboa, há mais de 100m de altura em relação ao nível do mar. Isso só ficou evidente quando nos aproximamos da muralha, pois diante de nós se estendeu uma bela vista panorâmica da qual pudemos ver, sobre os telhados da Alfama, embarcações navegando pela imensidão do Tejo, a Praça do Comércio em reforma, a cúpula aberta do Museu Arqueológico do Carmo, o Elevador de Santa Justa, a Praça da Figueira, a Ponte 25 de Abril, entre outros pontos bem distintos da cidade.

Castelo de São Jorge

Seguimos em direção ao Castelejo, a fortificação militar localizada no ponto mais alto da colina, atravessando arcos de pedra e tendo a muralha à nossa esquerda ostentando aqui e ali pesados canhões apontados para o horizonte. A aura de antiguidade e o clima medieval daquelas paredes de pedra - algumas em ruínas, fruto do terremoto de 1755, mas muitas restauradas durante a década de 1940 - só era quebrado pela presença de elementos modernos como postes e as obrigatórias lixeiras.

Já chegava o fim da tarde quando atravessamos a pequena ponte na entrada da fortificação, e o cansaço começava a bater após um dia de passeios que incluiu um "mergulho" no mundo dos animais marinhos. Assim, nossa volta pelo Castelejo foi ligeiramente breve, já que após um tempo estávamos cansados de tanto subir e descer as escadas das torres e muralhas, por mais que a vista lá de cima fosse bonita.

Castelo de São Jorge

O Castelo de São Jorge abriga ainda um café, um restaurante e outras atrações como um Periscópio, que permite uma visão 360º da cidade, e o Núcleo Museológico, com um acervo de objetos encontrados na área arqueológica do complexo. O bacana, entretanto, de uma visita ao monumento é justamente passear por suas muralhas e curtir a vista privilegiada que se tem da região. Só não dá para entender como seria possível uma movimentação de soldados pelas escadas irregulares da fortificação, mas isso eu deixo para os especialistas.

- Ouvindo: Arcade Fire - The Suburbs

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