6 de maio de 2016

Descobrindo Lisboa - Yes, nós temos hambúrguer

“Quem quer sentir a cidade tem que comer. Tem que comer o tradicional e tem que comer o contemporâneo, porque é isso que a cidade é também.”
- José Avillez, chef lisboeta

Como nem só de bacalhau, praticamente um sinônimo de comida portuguesa, vive-se em Lisboa, eu saí à procura dos melhores hambúrgueres da cidade, tanto para apagar a má imagem deixada pelo The Great American Disaster quanto para seguir a minha saga no além-mar.

28 Café


Descobrindo Lisboa - 28 Café

Não bastasse estar localizado no pequeno bairro circundado pela muralha do castelo, o 28 Café está instalado em uma réplica do icônico elétrico (bonde) 28, que sacoleja por Lisboa abarrotado de turistas e locais.

No cardápio, opções típicas de um café, como torradas, bolos, croissants e sanduíches, alguns pratos tradicionais, como o saboroso Bacalhau à Braz que a Fernanda pediu, e, obviamente, hambúrgueres, dentre os quais eu escolhi o 28: carne, bacon, cebola frita, mostarda, ovo estrelado, alface e molho de iogurte, servido no pão alentejano e acompanhado de fritas.

Com um ambiente bacana, bom atendimento, preços justos e um dos melhores hambúrgueres que eu comi em Lisboa, o 28 Café é certamente um lugar a revisitar no futuro, em outra passada pela cidade.


Bun’s - O Atelier do Burger


Descobrindo Lisboa - Bun’s

De propriedade de uma dupla de franceses, o Bun’s fica fora de qualquer rota turística, mas ainda assim em um ponto central, a poucos minutos da Praça Marquês de Pombal. O nome da casa vem do termo em inglês para o pão de hambúrguer, que é o primeiro ingrediente com o qual se tem contato.

A hamburgueria segue a filosofia de ingredientes frescos, molhos caseiros e carne de animais criados em pasto. As batatas fritas, eles juram, “nunca viram o interior de um congelador”. O cardápio é enxuto, mas variado, e tem opções para todos os gostos. Acompanhando os hambúrgueres, fritas e molho especial ou alface mista, tomate cereja e molho vinagrete.

A Fernanda escolheu o Rústico: um hambúrguer com queijo de São Jorge, cogumelos salteados com tomilho e alho, alface fresca, chutney balsâmico de cebola e molho Bun’s com tomilho. Eu pedi o básico Bacon: hambúrguer com bacon do Alentejo grelhado, chutney de cebola e molho da casa.

Para a Fernanda esse foi o melhor hambúrguer que ela provou em Lisboa. Minha escolha, apesar de mais simples, também me propiciou uma boa experiência. Some a qualidade dos hambúrgueres ao preço justo, e o Bun’s fica como uma boa dica principalmente para quem está pela região, voltando de um passeio no Parque Eduardo VII ou, como no nosso caso, hospedado nas imediações da Praça Marquês de Pombal.


Darwin’s Café


Descobrindo Lisboa - Darwin’s Café

Belém, uma das mais belas regiões de Lisboa, é lar dos melhores exemplares da arquitetura manuelina, o Mosteiro dos Jerónimos e a famosa Torre de Belém, mas também abriga construções modernas como o Centro Cultural de Belém e a Fundação Champalimaud, esta última quase um cenário de ficção científica.

Instalado no edifício B da Fundação Champalimaud e à margem do Tejo, o Darwin’s Café tem um ambiente sofisticado e uma bela vista do rio que pode ser conferida de praticamente qualquer mesa do salão, e melhor ainda na esplanada, ao ar livre.

O cardápio tem opções de sopas, saladas, massas, risotos, peixes e carnes, entre as quais figura um hambúrguer servido no prato, sobre salada de couve chinesa, coberto por queijo da Ilha e ovo estrelado, e acompanhado de fritas.

Com o ambiente e uma vista que impressionam, confesso que eu esperava mais do hambúrguer. A couve chinesa até adicionou uma crocância que eu não esperava, mas verdade seja dita: o prato não tem nada de especial. A Fernanda, pelo menos, deu sorte com o risoto que pediu.

Pelo valor meio inflacionado dos pratos, eu recomendo o Darwin’s Café apenas para quem deseja curtir a bela vista do Tejo na pausa de um passeio pela região de Belém. De qualquer forma, fica a dica: para conseguir uma mesa na esplanada, só com reserva.


h3 - New Hamburgology


Descobrindo Lisboa - h3

Foto feia, né? Na melhor das hipóteses, parece um strogonoff, mas aí embaixo existe um hambúrguer. E sabe do pior? Ele deveria ser parecido com isso.

Na primeira vez que estivemos em Lisboa, o h3 nos foi indicado, ao lado do desastroso The Great American Disaster, como um dos melhores lugares para se comer hambúrguer na cidade. Agora, tendo conhecido o estilo e a qualidade da hamburgueria, não me arrependo de tê-la tirado do roteiro em 2013, pois do contrário eu decretaria a capital portuguesa como o túmulo do hambúrguer.

O interessante é que mesmo nessa viagem, em que eu me propus a caçar os melhores hambúrgueres de Lisboa, o h3 ficou novamente de fora do roteiro, mas uma rápida passada no Centro Comercial Colombo acabou colocando a hamburgueria, que tem filiais brasileiras, no meu caminho.

Pois eis que frente a um atendente super confuso e desinteressado eu pedi o h3 Cheese: hambúrguer com molho de queijo, cebola salteada, ketchup e mostarda. Para acompanhar, fritas, mas me parece haver a possibilidade de escolher arroz. What?!

Mas e o hambúrguer, como é? Tirando o fato de parecer um prato de mingau, na melhor das hipóteses, tem o gosto bem parecido com o de qualquer sanduíche do Burger King. Recomendo? Obviamente, não.


Honorato - Hambúrgueres Artesanais (Mercado da Ribeira)


Descobrindo Lisboa - Honorato (Mercado da Ribeira)

Inaugurado em 1882, o Mercado da Ribeira passou por um raio gourmetizador uma restauração em 2014 que transformou o espaço em um centro de gastronomia, com restaurantes que vão da culinária tradicional portuguesa à internacional, atendendo aos gostos mais variados.

Hambúrguer, é claro, não poderia faltar, mas a única hamburgueria do local é a Honorato, do brasileiro Márcio Honorato. A casa trabalha com hambúrgueres artesanais, e um deles não poderia ser mais brasileiro: o hambúrguer de picanha, um corte “inexistente” para os portugueses.

Do cardápio enxuto, nós escolhemos o básico X-Bacon: hambúrguer artesanal de boi, alface, tomate, queijo e, obviamente, bacon. Embora o hambúrguer estivesse bom, não é o melhor de Lisboa como muitos consideram, e a batata estava muito salgada, o que queimou um pouco o filme.

Menos salgados no preço e, obviamente, nem um pouco no sabor são os bolos da Nós É Mais Bolos, uma cake shop vizinha de corredor da Honorato. Se a hamburgueria não é motivo suficiente para uma visita ao Mercado da Ribeira, a obscena excelente tarte de caramelo com chocolate nos fez voltar ao local poucos dias depois, de tão surpreendentemente boa.


Lighthouse - Bar & Kitchen


Descobrindo Lisboa - Lighthouse

Após nossa primeira visita ao Oceanário de Lisboa, almoçamos no Lighthouse. A comida boa, o atendimento simpático e a bacanuda vista do Tejo foram mais que suficientes para nos fazer querer repetir (e recomendar) a experiência.

O Lighthouse é um bar e restaurante instalado na Marina Parque das Nações, um lugar com cara e clima de costa mediterrânea. Das duas vezes que fomos, a primeira em 2013 e a segunda nesse ano, a casa estava vazia para o almoço, mas tenho a impressão de que à noite o lugar deve ficar lotado de camisas polo.

Eu não me lembro se em nossa primeira visita ao Lighthouse já havia hambúrguer no cardápio, mas na época pedimos a excelente tosta que leva o nome da casa, feita com pão alentejano, frango, maionese de alho, queijo brie e bacon. A Fernanda optou por repetir o sanduíche, mas eu, é claro, quis provar um dos hambúrgueres, no caso o Lighthouse Classic Burguer: carne de novilho, tomate, alface, queijo, bacon, cebola frita e molho, acompanhado de fritas.

Apesar da atendente mal humorada não ter me perguntado o ponto da carne e do bife ter saído mais mal passado do que eu gostaria, o hambúrguer estava bem saboroso e suculento de uma forma que eu só havia provado no Breakfast in America, em Paris.

Bom saber que, apesar da queda na qualidade do atendimento, o Lighthouse continua uma boa pedida para uma pausa na bela e moderna região do Parque das Nações.


Pharmacia


Descobrindo Lisboa - Pharmacia

Instalado no Museu de Farmácia, em frente ao Miradouro de Santa Catarina, o Pharmacia é um bar e restaurante decorado como um antigo consultório médico, criando um ambiente descontraído que não combinou, ao menos, com o atendimento sério e formal que tivemos.

No cardápio, várias opções de pratos, quase todos formatados em pequenas porções para se compartilhar. Um dos que escolhemos, obviamente, já que o assunto aqui é hambúrguer, foi o Mini Hambúrguer: hambúrguer de vazia (um corte mais ou menos equivalente ao filé mignon) maturada, servido no profiterole com compota de tomate cereja, molho de queijo e ervas, acompanhado de fritas.

A porção, com apenas quatro mini hambúrgueres, é bem econômica e não enche a barriga até mesmo de quem não compartilha o prato com outra pessoa. Apesar disso, vale ressaltar que é um hambúrguer bem leve e muito saboroso.

Na cidade das sete colinas, o que não falta são pontos em que se pode observar o Tejo. Para quem deseja curtir a vista do Miradouro de Santa Catarina, o Pharmacia, mesmo com seus preços meio inflacionados, é uma boa pedida para fugir da multidão “alternativa” que toma conta do lugar.


Royale Café


Descobrindo Lisboa - Royale Café

Localizado no Chiado, nas cercanias do Museu Arqueológico do Carmo, o Royale é um café de pegada internacional que entrou na nossa rota por acaso, em um dia de andanças aleatórias e muita fome.

No cardápio, pratos de todos os estilos e sabores, mas um único hambúrguer, o Hamburguer Royale: pão pita com tzatziki (um molho grego à base de iogurte), carne, salada aromática, queijo, ovo escafaldo (pochê), bacon e molho à portuguesa.

Além do ambiente bacana e agradável, o hambúrguer estava bem bom e é do tipo que eu esperaria encontrar no Darwin’s, por ser mais refinado e até um pouco exótico. Eu só trocaria o pão pita, que de tão firme acaba virando um obstáculo na hora de saborear o prato.


To.B - To Burger Or Not To Burger


Descobrindo Lisboa - To.B

No último dia de andanças por Lisboa, passeando pelas ruas do Chiado e fugindo um pouco dos pontos de maior movimentação de turistas, encontramos o antigo casarão que abriga a To.B. O sol começava a alcançar as mesas na calçada, a maioria delas ocupadas, e o salão estava totalmente lotado. Mesmo assim, optamos por uma coisa que não costumamos fazer por aqui: esperar por uma mesa, e a espera, apesar da fome ter apertado, valeu a pena.

Inaugurada em setembro de 2013, a hamburgueria tem uma filosofia parecida com a da Bun’s, de ingredientes frescos e tudo mais, e a carne, segundo nos informou o dono, vem dos Açores. O cardápio é enxuto, com sete opções de hambúrgueres, todos eles também disponíveis em versão mini, o que parece agradar e atrair uma grande quantidade de famílias para o local.

A Fernanda, que curte uma pegada mais saudável, escolheu o Mush: cogumelos salteados, rúcula, tomate, queijo Monterey Jack e molho de alho e ervas. Eu, por outro lado, fui direto no To.B: bacon crocante, cheddar, molho da casa, cebola caramelizada, alface e tomate. Como os hambúrgueres da casa não vêm com acompanhamento, ambos pedimos as excelentes fritas rústicas.

Quando um restaurante vive lotado, das duas, uma: ou ele está muito hypado ou ele é muito bom. No caso do To.B, a julgar pelo público majoritariamente local, pela simpatia no atendimento e, principalmente, pela excelente qualidade dos hambúrgueres que, na minha opinião, são os melhores de Lisboa, me parece clara a segunda alternativa.

Recomendo e certamente revisitarei quando novamente na cidade.


Mapa


Veja também:

- Ouvindo: Pixies - Greens and Blues

Nenhum comentário: