20 de outubro de 2020

Revisitando Twin Peaks… pelo RPG

Revisitando Twin Peaks… pelo RPG

“There are many stories in Twin Peaks — some of them are sad, some funny. Some of them are stories of madness, of violence. Some are ordinary. Yet they all have about them a sense of mystery — the mystery of life. Sometimes, the mystery of death. The mystery of the woods. The woods surrounding Twin Peaks.”

Eu tenho alguns pontos fracos: Star Wars, o horror lovecraftiano e, principalmente, Twin Peaks. Gosto tanto da série, que sempre acabo priorizando jogos — ou quadrinhos, ou séries, ou filmes, etc. — em que ela é citada como inspiração. Assim, quando saí da minha hibernação rpgística, nada foi mais natural do que procurar sistemas e/ou cenários influenciados pela criação de David Lynch e Mark Frost.

Tirando Tall Pines, que tem foco maior no mistério, todos os outros jogos narrativos inspirados em Twin Peaks que encontrei — Coffee Detective, Something is Wrong Here, Wayfarer’s End e o atualmente indisponível The Town, criado por John Wick, autor de The Shotgun Diaries — têm como principal alicerce a interação entre os personagens, já que o rol de figuras bizarras e excêntricas é um dos pontos fortes da série.

Embora existam alguns emuladores de jogadores, no mundo do RPG Solo é mais comum a simulação do papel do mestre. Assim, talvez o RPG inspirado em Twin Peaks mais fácil de converter para o modo solo seja o futuro No Place Like Home, que usa as regras do Blades in the Dark, um sistema que muitos já jogam sozinhos.

Em março deste ano, quando alguém na comunidade Solo RPG perguntou sobre a existência de RPGs inspirados em Twin Peaks, comentei sobre alguns dos sistemas acima e da dificuldade que seria convertê-los para o modo solo por conta da grande interação entre personagens. Quando o Titi Diéfersom sugeriu/provocou adaptar a série para algum sistema existente, acabei criando o Dominus Twin Peaks.

Desenvolvido pelo coletivo Iniciativa Dominus, o Dominus é um sistema minimalista e sem mestre que qualquer pessoa pode usar para fazer seu próprio RPG. Uma adaptação padrão ocupa, normalmente, uma folha de tamanho A4 frente e verso, da qual a maior parte fica reservada para o cenário/ambientação, já que as regras principais do sistema são apenas cinco:

  • Regra 1: Preparação
    Escolha (ou role) um Arquétipo na tabela e dê um nome para seu personagem. Depois role um
    dado para cada uma das três colunas na tabela de Trama.
  • Regra 2: História
    Para começar a sua história, escolha (ou role) um Lugar na tabela de Cenas. Sempre que entrar
    em uma Cena, role um dado. Se cair 3 ou menos, role um Personagem. Se cair 4 ou mais, role um
    Evento. Você pode ir para uma nova cena se achar apropriado (e tenha resolvido qualquer
    conflito aparente).
  • Regra 3: Desafio
    Sempre que seu personagem tentar fazer algo que possa dar errado, você tem um Desafio: role
    um dado. Se tirar 4 ou mais, você conseguiu vencê-lo. Se houver algo nesta situação que lhe dê
    vantagem nesse Desafio, role 2 dados e escolha o maior. Caso algo lhe dê desvantagem, role 2
    dados e escolha o menor.
  • Regra 4: Dilema
    Sempre que tiver uma dúvida cuja resposta não seja óbvia, determine duas opções possíveis (sim
    ou não, esquerda ou direita, acontece A ou acontece B, etc.) e role um dado. Se cair 3 ou menos é
    a primeira opção, e se cair 4 ou mais é a segunda opção.
  • Regra 5: Banco de Ideias
    Sempre que precisar elaborar melhor um Lugar, Personagem ou Evento, role no Banco de Ideias e
    interprete o resultado de qualquer coluna de acordo com o Cenário

Existem versões do Dominus para tudo quanto é gosto: de Galinha Pintadinha a Arquivo X, passando por Caverna do Dragão, Skyrim, Star Wars e, virtualmente, qualquer outra coisa que alguém animar de adaptar.

Para baixar o Dominus Twin Peaks, clique aqui.

- Ouvindo: Poolside - Drifting

Nenhum comentário: