18 de dezembro de 2020

NoteQuest - O Santuário da Maldição Sangrenta

NoteQuest - O Santuário da Maldição Sangrenta

Criado por Tiago Junges, autor de Mighty Blade, Malditos Goblins!, Ronin, Amigo Dragão e mais outros trocentos jogos, NoteQuest é um dungeon crawler solo minimalista e super mortal.

O jogo foi produzido para os apoiadores do Coisinha Lab em 2019, com direito a cópia física na extinta Coisinha Box, mas a versão original (e a expansão) pode ser baixada gratuitamente no site do autor. Um financiamento coletivo recente viabilizou a produção de uma nova versão física incluindo o suplemento Mundo Expandido, e esse livro — eu imagino — deve ser vendido posteriormente na loja do Coisinha Verde, pois, provavelmente, tem gente que também perdeu o late pledge.

NoteQuest - O Santuário da Maldição Sangrenta

Uma partida de NoteQuest se resume ao seguinte: criar uma personagem, criar uma masmorra e assistir a essa personagem morrer no meio da exploração. Com muita sorte, pode-se vencer a masmorra e partir para uma nova, mas é bem improvável. Parece chato perder personagens com tanta facilidade, mas nem dá tempo de se apegar a elas. So it goes.

No modo básico do jogo, um personagem pode pertencer a uma das tradicionais raças dos RPGs de fantasia medieval: humano, anão, elfo, pequenino, gnomo, fada, meio-dragão, povo-gato, rinoceróide, homem-gosma e vagalóide; as classes também não fogem dos clichês: guarda, gladiador, ferreiro, estudante, nobre, mendigo, coveiro, cozinheiro, chaveiro, lenhador e minerador. O modo expandido permite personagens goblins, fungóides e samambros, para citar alguns, e as classes avançadas trazem opções mais exóticas como clérigo, druida, guerreiro, ladrão, mago ou paladino, por exemplo.

O modo básico traz seis tipos de masmorras — palácio, cripta, tumba, santuário, templo e calabouço —, cada um com suas tabelas específicas de monstros, tesouros, chefões e tudo mais. O modo expandido traz regras para exploração do(s) mundo(s), além de mais nove tipos de masmorras mortais, a maioria delas com regras especiais.

NoteQuest - O Santuário da Maldição Sangrenta

Minha primeira partida de NoteQuest durou menos de meia hora, quando o guarda anão Oloric encontrou seu destino final na segunda sala que explorou. Ninguém veio procurá-lo, mas sua história não se perdeu:

Quando começaram as movimentações para que o clã de Jorhur Bittergut passasse a comandar a cidade de Bharduhr, Oloric foi um de tantos outros guardas que apoiaram a troca de poder, pois assim haveria alguém olhando por eles.

Mas não foi bem assim…

Com o ex-soldado insano no comando, a cidade de Bharduhr virou um caos, tamanho o descaso. E como as coisas sempre podem piorar, a peste chegou, levando à morte muitos anões, mas nada foi feito.

Não era só um mal estar passageiro, como o líder do clã Bittergut bradava…

Sentindo-se abandonado e sem ter a quem recorrer, o arrependido Oloric pegou sua espada e deixou Bharduhr, na esperança de viver uma vida de aventuras e muitas riquezas.

Após um dia tranquilo de viagem, Oloric chegou ao vilarejo de Aubersir. No Pombal Sujo, a taverna/estalagem do vilarejo, o anão encontrou sua primeira missão: resgatar Alix, o irmão de Guilhard, um jovem camponês que não podia dar à mãe a tristeza de perder outro filho.

Alix, segundo diziam, tinha sido visto a caminho do Santuário da Maldição Sangrenta, e para lá o anão se dirigiu…

Oloric não demorou a encontrar a pequena capela abandonada. Passando pelas lúgubres estátuas de anjos que guardavam a entrada, ele encontrou um salão vazio, com um altar de pedra bem desgastado ao centro.

Uma fina névoa cobria o chão, quase escondendo o alçapão de madeira ao fundo da capela, além do altar. Bastante destruído pelo tempo, o alçapão revelava uma escadaria em meio à escuridão absoluta…

Empunhando sua espada e trazendo uma tocha, Oloric desceu a escadaria até deparar-se com uma porta, através da qual parecia vir a fina névoa. O tempo que levou para arrombá-la consumiu a tocha, mas o anão resoluto não se deixaria ser engolido pela escuridão.

Com uma nova tocha acesa em mãos, Oloric alcançou um corredor, ao fim do qual encontrou outra porta trancada; a névoa continuava a seguir em frente.

“Maldita a hora que resolvi seguir a carreira do meu pai!” — pensou Oloric, enquanto recorria novamente à força bruta para continuar sua exploração.

A terceira tocha revelou uma sala mediana além da porta derrubada. Em um canto, Oloric pode reconhecer o cadáver do irmão gêmeo de Guilhard; ao seu lado, flutuando sobre a névoa e atenta à chegada do novo intruso, uma Anjo Sentinela chorava pela vida que foi obrigada a levar.

Com lágrimas ainda escorrendo por suas bochechas, a sentinela lançou-se em direção a Oloric, atingindo seu ombro com a espada! O golpe quase arrancou o braço do anão que, em resposta, cravou sua espada na barriga da anjo.

Em meio à névoa mais forte, os combatentes seguiram alternando golpes até que o anão, bastante ferido, conseguiu decapitar a Anjo Sentinela. Livre da ameaça, Oloric voltou suas atenções à porta ao lado do cadáver de Alix, de onde a névoa parecia fluir.

Como se o destino estivesse insistindo para que ele desistisse, Oloric novamente encontrou a porta trancada, e o penoso processo de arrombá-la se repetiu uma última vez, ele esperava.

Ferido e cansado, o anão chegou a um grande salão vazio; caminhando em meio à densa névoa que preenchia todo o lugar, Oloric conseguiu ver uma forte luz surgir no centro da sala, revelando a presença da Deusa sem Rosto!

O sangue da deusa manchou o chão do grande salão, mas Oloric não conseguiu atingi-la uma segunda vez. Quando ela partiu, deixando o corpo do seu desafiante para trás, a forte luz que a acompanhou foi substituída pela fraca luminosidade da tocha carregada pelo anão, que pouco tempo depois também se extinguiu, deixando a escuridão e a névoa engolirem por completo o aposento.

- Ouvindo: KOKOKO! - Tongos'a

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