10 de novembro de 2009

Casal Geek Entrevista: Wellington Santos


"Um amante dos quadrinhos que decidiu lutar pelo sonho de publicá-los, e que conseguiu isso depois de muita luta, mas muita luta mesmo!"

É assim que se define Wellington Santos, um simpático autor de quadrinhos independentes e criador do herói Vulto, um vigilante que combate o crime organizado em Belo Horizonte.

O Wellington foi um dos artistas convidados para o Action and Comics Day 2009, onde o conhecemos e combinamos a entrevista que pode ser conferida abaixo:

  • Você se lembra de qual foi a primeira revista em quadrinhos com a qual teve contato? Quais personagens mantiveram seu interesse nas HQs após este primeiro momento?

    A primeira foi um Almanaque do Tio Patinhas (1980... Puxa, quanto tempo!). Mas os super-heróis foram os que me "prenderam" aos quadrinhos, anos depois: Superman, Batman, Demolidor e mais tarde, Justiceiro.

  • Quais são seus autores e artistas prediletos?

    Os brasileiros: Allan Alex, E.C. Nickel, Eugênio Colonesse, Flávio Colin e Shimamoto. Os estrangeiros: John Byrne, John Buscema, Micke Zeck e Jim Lee.

  • O que você tem lido atualmente?

    Leio de tudo: heróis, terror, humor, policial, regional. Principalmente no que se trata de HQ Nacional, estou sempre aberto a conhecer novos gêneros e autores.

  • O que o motivou a produzir suas próprias HQs?

    Eu sempre sonhei em produzir meu próprio material e ter um público meu mesmo. Isso sempre me atraiu bastante. Saber da dificuldade de produzir HQ no Brasil me fez encarar este sonho como um desafio, e eu queria provar pra mim mesmo que seria capaz de conseguir.

  • O Vulto foi seu primeiro personagem ou existiram outros antes dele?

    Antes dele (em 89) eu tinha uma "galeria" de heróis e vilões. Cheguei a fazer umas 20 revistinhas (de caneta esferográfica, mesmo!) com eles, até criar o Vulto no ano seguinte.

  • Como surgiu a idéia do Vulto? Quais foram suas influências?

    Eu tinha colocado na cabeça que queria fazer quadrinhos, e passei a me informar sobre o assunto. Vi que meu trabalho com a "galeria de 89" não vingaria, e aí criei o Vulto pra ser meu "Ás na manga". Estávamos no auge da "Batmania" e eu adorava Batman, Demolidor e Justiceiro. Daí vieram minhas influências básicas.

  • O Vulto passou por muitas mudanças e refinamentos até chegar ao que é hoje?

    Ele passou por uma mudança visual (seu primeiro uniforme tinha uma gola horrorosa, e ele ficava parecendo um vampiro. Ainda bem que não publiquei ele assim!), e por mudanças na sua origem enfocando mais seu perfil "militar".

  • O que o Nelson (ou até mesmo o Vulto) tem em comum com você?

    Somos de BH e acreditamos ser capazes de "fazer a diferença" em nossa cidade, cada um à sua maneira.

  • Você faz grande parte do trabalho, escrevendo e desenhando as histórias. Qual dessas atividades você mais gosta de fazer?

    Gosto mais de finalizar as páginas, pois nesse momento estou definindo a arte que será impressa.

  • Você gostaria de publicar histórias do Vulto com a participação de outros artistas / roteiristas? Quem você gostaria de ver escrevendo ou desenhando uma HQ do Vulto?

    É muito legal ver um personagem da gente produzido por outras pessoas. Tive a sorte de ver o Vulto feito por grandes autores da HQB e para a próxima publicação teremos histórias feitas por convidados muito bacanas.

  • Como é o processo de produção de uma revista? Quanto tempo você leva da ideia inicial à revista finalizada?

    Extremamente trabalhoso e exige uma série de conhecimentos. Veja: desenvolvo o roteiro, faço todo o storyboard, reúno as referências necessárias e começo a desenhar. Faço todo o "lápis" e aí finalizo a história. Escaneio as páginas e levo pro Photoshop, onde aplico os tons de cinza e efeitos. Aí levo pro Corel Draw, para digitar os textos e montar as páginas. O mesmo processo se repete para as capas, mas aí conto com o meu amigo Eckner, que faz a coloração sobre meu desenho.

    Com todo material montado e revisado, gravo em um CD e envio pro Salles, que encaminha e acompanha o material na gráfica lá em São Paulo.

    Como faço HQ por hobby (trabalho em outro ramo!) e só posso dedicar horas vagas à minha produção, levo em torno de 8 meses para concluir todo esse trabalhão descrito acima.

  • Você banca os custos de produção sozinho, ou conta com a ajuda de patrocínios / parcerias?

    Minha primeira publicação, Vulto: O Vigilante, foi totalmente bancada por mim. A partir da segunda passei a contar com o importantíssimo apoio do José Salles (Editora Júpiter 2), e agora faço parte do quadro de autores que produzem com ele.

  • Como é o mercado brasileiro de quadrinhos? Quais são as maiores dificuldades encontradas pelos autores independentes?

    Hoje o mercado está mais aberto ao autor nacional. Há muitas (e ótimas!) publicações brasileiras disponíveis, e mais espaço pra se divulgar nosso material.

    As maiores dificuldades são: custos gráficos ainda muito altos, disputa com o material de fora e dificuldades com a distribuição.

  • Você está vinculado a algum coletivo de quadrinistas? O que você acha dessas iniciativas?

    Faço parte da Júpiter 2. Com certeza esse tipo de trabalho feito em grupo se torna muito mais fácil. Por isso sou extremamente favorável.

  • Como é feita a divulgação e distribuição do seu trabalho?

    Pela internet, através dos sites de cultura pop com os quais tenho contato, por meio de outras publicações (fanzines e revistas), jornais, eventos de HQ e no "boca a boca" também.


  • Como tem sido a resposta dos leitores?

    Bem positiva. Tenho leitores em várias cidades do Brasil, e sempre recebo elogios pelas minhas revistas.

  • O que podemos esperar das próximas histórias do Vulto?

    A próxima publicação trará três histórias curtas. Uma totalmente produzida por mim e as outras por autores convidados. Será uma publicação especial em comemoração aos 20 anos do personagem, que será no ano que vem.

  • Existe a possibilidade de conhecermos novos heróis?

    Por enquanto pretendo produzir só o Vulto mesmo, mas quem sabe futuramente...

  • As histórias do Vulto apresentam uma abordagem mais adulta. Como você tem filhos pequenos, já pensou em publicar quadrinhos voltados ao público infantil?

    Acho que não levo jeito pra produzir HQ infantil. O que tem passado pela minha cabeça é amenizar um pouco a maneira de agir do Vulto, para torná-lo mais "bonzinho", para que ele chegue a esse público.

  • Como os interessados fazem para comprar as revistas do Vulto? Onde eles podem encontrá-las?

    Os pedidos podem ser feitos pelo meu e-mail: vultohq@yahoo.com.br.

7 comentários:

Ezequiel Sena disse...

É isso aí! conheço o trabalho do Wellington, e sei da sua paixão por quadrinhos, principalmente os nacionais, e é essa paixão e dedicação que tem motivado outros a buscar esse sonho, lutar para ter seu trabalho publicado, valeu Well, vc é um verdadeiro super-herói nacional, continue acreditando e nos mostrando que é possível sonhar.

Paulo Joubert disse...

Também conheço o trabalho do Wellington e posso dizer que melhora a cada edição! Mal posso esperar pelo próximo, com a paerticipação de mais artistas.

KH-NEIRA ZINE disse...

Esse é o CARA!!! Alias, eles são os CARAS, Well e Vulto, botam pra fuder!!!
Bela entrevista c/ esse maluco que não deixa a peteca cair e corre atras do que quer, parabéns pela entrevista...fodá!
Dola

Anônimo disse...

É isso ai Wellington já li as 3 revistas e achei o máximo.
Finalmente aprendeu a adar entrevistas heim. rsrsrs.

marciano disse...

Weelington é um cara que, com certeza, vai chegar no topo como artista dos quadrinhos. É um cara que batalha e acredita em seu trabalho. Tenho orgulho de ser amigo dele e apoio de coração o seu trabalho.
SUCESSO Well!!!!!!!!!!!!!!

abração

Marte

Victor M Senna disse...

É isso aí, Wellington é um grande exemplo! Força para O VULTO.

Abraços

Angelo disse...

É um verdadeiro exemplo de empreendedorismo na área dos Quadrinhos, que no Brasil é tão difícil! Continua firme e forte na produção do Vulto, camarada, em breve a gente vai mudar a cara do mercado brasileiro!