25 de novembro de 2010

Pato Fu - Música de Brinquedo


Provavelmente a primeira vez que ouvi uma música do Pato Fu foi na propaganda da Unimed, mas minha memória mais antiga da banda é de um show que fizeram na Praça da Estação, que a Rede Minas transmitiu no século passado, lá pelos idos de 1993...

Lembro-me de ter gravado a apresentação e assistido obsessivamente as versões ao vivo de "Hino Nacional do Pato Fu", "Rotomusic de Liquidificapum", "Sítio do Pica-Pau Amarelo", "Meu Coração É u'a Privada" e, é claro, "O Processo de Criação Vai de 10 Até 100 Mil".

Na época o grupo ainda era um trio composto por John Ulhoa, Fernanda Takai, Ricardo Koctus e 128 japoneses. Que tipo de som faziam? "Rotomusic de Liquidificapum":
"Rotomusic de Liquidificapum é mais ou menos o resultado do que a gente faz. É uma tentativa de explicar o tipo de som que a banda faz. Jornalista adora rótulo. É a maneira mais simples de dizer para quem está lendo, como é o som da banda. Como a gente é inrolutável, nós fazemos o favor de arrumar um rótulo para eles. Deu trabalho, mas acho que eles não entenderam direito, pois sempre perguntam."
- John Ulhoa
Durante algum tempo, tudo que eu conhecia do Pato Fu eram as músicas que havia gravado do show transmitido pela TV. Num período em que o MP3 não passava de um sonho alucinante de ficção científica, isso só foi mudar quando encontrei, por acaso, Rotomusic de Liquidificapum, o primeiro CD do grupo lançado pela Cogumelo.

1995 chegou, e com ele Gol de Quem?, o segundo álbum da banda e o primeiro por uma grande gravadora. "Sobre o Tempo" e o simpático clipe de "Qualquer Bobagem" renderam ao grupo o prêmio de artista revelação na primeira edição do Video Music Awards realizada pela MTV brasileira. No mesmo ano foi lançado Mellon Collie and the Infinite Sadness, e todas as minhas atenções musicais se voltaram para o rock "alternativo" internacional.

O tempo passou, os 128 japoneses foram aposentados com a entrada de Xande Tamietti para o grupo, mas o Pato Fu não conseguia mais atrair a minha atenção como o fez quando eu tinha 17 anos. "Made In Japan" até bateu como favorita imediata, mas ficou por isso mesmo. Haviam ficado pop demais pro meu gosto ou eu que estava muito ranzinza? Arrisco marcar as duas...

Pressione o FF e chegamos a 2010, quando o Dani vem pra mim e manda:

- Já viu o novo projeto do Pato Fu?
- Não.
- Eles gravaram algumas músicas utilizando instrumentos de brinquedo.
- O Cure já fez isso no acústico deles. Usaram um piano de brinquedo...
- É muito bom. Depois você procura por "Música de Brinquedo".

Reconheço que não dei muita bola a princípio, e acabei conferindo o vídeo de "Live and Let Die" após muita insistência dele. Na primeira exibição, encantamento instantâneo. Sorrisos e arrepios eram arrancados a cada "Live and let die!" gritado pelas crianças. O "rotomusic" havia voltado.

Inspirado pelo álbum Snoopy's Beatles Classiks on Toys, o projeto Música de Brinquedo traz os músicos da banda, agora um quinteto com a entrada de Lulu Camargo, em releituras de hits nacionais e internacionais utilizando instrumentos infantis, instrumentos de brinquedo e brinquedos propriamente ditos. Para completar, os backing vocals são feitos por crianças.

Ao vivo a banda conta com o auxílio de Mariá Portugal e Thiago Braga na "mesa de atividades", e os vocais infantis são substituídos pelas vozes de dois monstros, Ziglo e Groco, divertidos bonecos do grupo Giramundo.

A primeira apresentação no Teatro Dom Silvério teve seus ingressos esgotados rapidamente, e não conseguimos ver o show até ontem (24/11/2010), quando o grupo voltou a BH para apresentar o Música de Brinquedo no Teatro Alterosa, como parte do projeto Ensaio Aberto, da rádio Guarani FM.

O show foi transmitido pela rádio e via internet, e contou com todas as músicas do álbum, além de algumas versões "de brinquedo" de músicas gravadas pelo grupo como "Sobre o Tempo", "Eu" e "Made in Japan", e um cover de "Bohemian Rhapsody", numa homenagem nem um pouco disfarçada da versão feita pelos Muppets.

A banda esbanjou simpatia, e o som tirado daqueles pequenos instrumentos impressionou. Como numa divertida brincadeira, o tempo passou rápido e, quando vimos, quase duas horas de show haviam se passado sem que tivéssemos percebido.

Como disse Kiko Ferreira em sua introdução ao evento: o Música de Brinquedo é um show que certamente figurará na lista de melhores do ano. Além disso, serve para mostrar que, embora ainda seja uma banda divertida e meio amalucada, o Pato Fu nunca esteve pra brincadeira.

Um comentário:

Annavoig disse...

Pow, se eu soubesse, teria ido... Amo Pato Fu!