18 de janeiro de 2010

Papo de bêbado

- Você sabe que eu te acho muito gente boa, né?
- Eu sei, e sei também que você já bebeu demais.
- Bebi! Bebi mesmo! Mas você é muito gente boa! Todo gordinho é gente boa, já reparou?
- Tá me chamando de gordo? Não que eu não seja, mas...
- Olha a Fat Family, por exemplo! Todo mundo fica rindo o tempo todo, e mexendo o pescoço assim.
- Não é bem assim.
- É assim, então?
- Não.
- É, eu não sei mesmo! Você sabe mexer o pescoço igual a eles?

7 de janeiro de 2010

Tocando o terror na criançada

Imagino que a humanidade inventou o terrorismo quando o homem primitivo descobriu que uma alternativa para acabar com a bagunça de seus filhos era amedrontá-los, em vez de espancá-los até a morte. Imagino até que o Bicho-Papão deva ter surgido nesta época:

- Quem derrubou a minha coleção de pedras?
- Não fui eu!
- Eu já falei que dentro da caverna não é lugar de brincar!
- Não fui eu, pai! Foi o Uglûhk-ük!
- Mentira! Foi ele sim!
- Calem a boca, vocês dois! Ou eu...
- Ou o que, pai? Você vai bater a minha cabeça na parede, igual você fez com o Glùhk-khk?
- Não. Aquilo fez a maior sujeira, e sua mãe briga comigo até hoje por causa da mancha.
- Você vai fazer o que então, pai?
- Eu vou chamar o... Eu vou chamar o Bicho-Papão para pegar vocês!
- O Bicho-Papão?!
- É!
- Quem é o Bicho-Papão, pai?
- Um bicho que vai comer vocês!
- Tipo aquele que comeu o Ukh-ükh-ghâlùkh, pai?
- Não. Aquele era outro! Se o seu irmão tivesse corrido mais rápido...
- Eu corro rápido!
- Mas ninguém consegue correr do Bicho-Papão!
- Oh! Então eu não vou mais brincar dentro de casa!
- Nem eu!