5 de dezembro de 2011

Press Start - The Secret of Monkey Island

"My name's Guybrush Threepwood, and I want to be a pirate!"
Eu nunca quis ser um pirata. A aventura, para um garoto da minha geração, estava no espaço, com batalhas sendo travadas entre grandes naus naves espaciais e bravos heróis brandindo suas espadas laser. Mal sabia eu que essas histórias já haviam sido contadas...

Apesar não querer ser um pirata, durante a Idade Média da computação pessoal no Brasil, era na pirataria que tínhamos contato com os jogos de PC, pois tudo era muito caro e de difícil acesso. Hoje, com as plataformas de distribuição digital como o Steam e o nacional Nuuvem, ninguém pode utilizar essa desculpa. Mas atire o primeiro disquete de 5"1/4 aquele que nunca copiou um jogo na vida.

Mesmo com a facilidade de se copiar um jogo, os mecanismos de proteção eram menos invasivos e até mesmo um pouco inocentes, pois bastava copiar também os códigos de proteção que os jogos estavam liberados. Isso, entretanto, não significava pouco trabalho: certa vez, o amigo de um colega meu copiou à mão cerca de quatro páginas com todos códigos de proteção do Indiana Jones and the Last Cruzade, já que estes códigos eram compostos por símbolos não reproduzíveis por caracteres normais.

Outro código de proteção trabalhoso de duplicar era o do The Secret of Monkey Island. Antes de iniciar o jogo você tinha que responder em que ano aconteceu um fato relacionado a um determinado pirata em uma das ilhas do Caribe. Para isso você utilizava o acessório Dial-A-Pirate, composto por dois discos através dos quais você formava o rosto do pirata mostrado na tela e obtinha a data para a ilha citada. Impossível de se xerocar sem a destruição do original, mas foi justamente através de uma cópia bem apagada destes discos que vivi pela primeira vez minhas aventuras na famigerada Monkey Island.


Lançado em 1990, The Secret of Monkey Island é um jogo de aventura que conta a história de Guybrush Threepwood, um adolescente de aproximadamente 17 anos que quer se tornar um pirata. Por acaso, meu contato com o jogo ocorreu por volta de 1993, quando eu tinha a mesma idade do personagem...

A história do jogo começa com a chegada de Guybrush Threepwood à Mêlée Island (ou Ilha do Vale-Tudo, na tradução nacional), localizada nos cafundós do Caribe. Lá ele se encontra com os três líderes dos piratas, que o desafiam a cumprir três provas: encontrar um tesouro enterrado, derrotar Carla, a mestre da espada, e roubar uma estátua da mansão da governadora Marley.

Em sua busca para cumprir as três tarefas, Guybrush conhece vários personagens, entre eles a bela Elaine Marley, por quem se apaixona. Entra em cena o pirata fantasma LeChuck, que sequestra a governadora e a leva para a misteriosa Monkey Island (Ilha dos Macacos na versão nacional).

A partir desse ponto o foco da aventura muda, e os objetivos de Guybrush passam a ser conseguir um barco e encontrar uma tripulação, com os quais navegará até a Monkey Island para resgatar Elaine. Fecha-se então o primeiro ato.


O segundo ato trata da jornada até a Monkey Island, quando Guybrush tem que lidar com um motim de sua tripulação e o mais difícil: encontrar o caminho até a ilha secreta, o que descobre ser possível apenas através da magia vodu.

No terceiro ato temos Guybrush explorando a misteriosa Monkey Island, em busca de Elaine. Lá somos apresentados aos seus moradores: o heremita Herman Toothrot e os canibais Red Skull, Sharptooth e Lemonhead, que vivem numa eterna "briga de condomínio" com o primeiro. São os canibais, inclusive, que preparam um elixir vodu capaz de eliminar o pirata fantasma LeChuck. Para isso, entretanto, Guybrush deve invadir o navio pirata fantasma escondido nas entranhas da ilha, e recuperar o ingrediente secreto do elixir.

Infelizmente Guybrush consegue o elixir tarde demais, o que descobre quando volta às entranhas da ilha para derrotar LeChuck. Chegando lá não encontra mais o navio fantasma, pois o pirata havia voltado à Mêleé Island para se casar com Elaine. Começa então o quarto ato, no qual temos a luta final de Guybrush contra LeChuck. Obviamente o herói derrota seu rival, e vive feliz para sempre com Elaine. Será?

Como um bom jogo de sucesso, The Secret of Monkey Island rendeu continuações nas quais LeChuck volta - ele á um fantasma - para tentar conquistar Elaine e transformar a vida de Guybrush num inferno. Os gráficos melhoraram, os personagens ganharam vozes, mas dos jogos da série que tive a oportunidade de jogar, nenhum teve o mesmo impacto em mim do que aquele com gráficos de 256 cores, cuja trilha sonora saía pelo PC speaker.


Monkey Island 2: LeChuck's Revenge e The Curse of Monkey Island, por exemplo, foram bons jogos, mas não tiveram o mesmo mojo do primeiro. Escape from Monkey Island, o primeiro da série a não utilizar a engine SCUMM, senão me engano, agora exigia o uso do teclado, o que me incomodou tanto que abandonei o jogo logo no início. O próprio remake do primeiro jogo da série, The Secret of Monkey Island: Special Edition, lançado em 2009, foi uma decepção, pois a jogabilidade original foi jogada no lixo - o puzzle das canecas de grog ficou dificílimo agora - e desperdiçaram a chance de fazer algo bacana com o visual cartoon do terceiro jogo da série. Aliás, arrisco a dizer que, se existe algo de bom nessas Special Editions, é justamente a possibilidade de jogar os jogos originais, com trilha sonora remasterizada e diálogos dublados.

Também lançado em 2009, Tales of Monkey Island trouxe as aventuras de Guybrush Threepwood para uma nova geração de jogadores. Como até então só brinquei um pouquinho com a demonstração do primeiro episódio, não tenho envergadura moral para falar se o quinto jogo da série faz jus aos seus antecessores, mas me pareceu ser algo promissor.

Criado por Ron Gilbert, Tim Schafer e Dave Grossman, The Secret of Monkey Island é um jogo que traz belos cenários e uma trilha sonora bem pegajosa, composta por Michael Land. A história é simples, mas o jogo se garante nos seus personagens divertidos, no seu humor bobo e leve e, principalmente, nos seus puzzles bem bolados - a luta de espadas baseada em insultos é bem divertida e apresenta um bom desafio para quem nunca jogou.

Eu nunca quis ser um pirata, mas as aventuras que vivi na pele de Guybrush Threepwood foram tão divertidas que The Secret of Monkey Island deve ser um dos jogos que mais joguei na vida, perdendo apenas para Golden Axe, talvez. Essa, entretanto, é uma história que fica para outro dia...


Curiosidades
  • Quando foi criado, Guybrush Threepwood não tinha esse nome. Aliás, ele não tinha nome algum. Assim, Steve Purcell, o artista responsável pelo sprite do personagem, salvou o arquivo como "guybrush", indicando que aquele era um arquivo "brush" do Deluxe Paint (o software de desenho utilizado), para o sprite do personagem "guy" (cara). O sobrenome Threepwood foi decidido depois num concurso interno da LucasArts.
  • Você pode jogar como Guybrush Threepwood em Star Wars: The Force Unleashed II.
  • Um bando de malucos traduziu o jogo para português. Os patchs você encontra aqui e aqui (Special Edition).
  • Em 2001 o desenhista Paco Vink começou a converter a história vista no primeiro jogo da série para os quadrinhos. Os desenhos seguiam o estilo cartoon de The Curse of Monkey Island, mas infelizmente a webcomic parou de ser produzida em 2007, sem ao menos a primeira parte ter sido concluída. De qualquer forma, os quadrinhos ainda pode ser conferidos aqui.

Um comentário:

Celiojedi disse...

Cara lembro do Doom cara era muito louco se nao me engano era 17 disquetse a instalação... sem contar um Quake que foi o primeiro jogo online que eu joguei no modem 28kbs ... tenso ...