22 de fevereiro de 2012

Press Start - Cthulhu Saves the World

"Não está morto o que pode eternamente jazer,
E em eras estranhas até a morte pode morrer."
Em eras remotas o mundo foi habitado por entidades de poder cósmico, e Cthulhu, um "(...) monstro de perfil meio antropóide, mas com uma cabeça de polvo (...), garras prodigiosas nas patas dianteiras e traseiras, e asas longas e estreitas nas costas", encontra-se atualmente adormecido na cidade submersa de R'lyeh. No momento em que as estrelas estiverem alinhadas, Cthulhu acordará de seu sono e emergirá para subjugar novamente a Terra.

Desenvolvido pela Zeboyd Games, Cthulhu Saves the World (CSTW) é um RPG que começa justamente no momento em que Cthulhu retorna à superfície, quando seus poderes são anulados pela ação de um "misterioso estranho". Para a sorte da humanidade - diz o narrador - a única forma de Cthulhu anular esta maldição seria fazendo o inimaginável: tornar-se um herói.

Neste momento Cthulhu rompe a quarta barreira e avisa que descobriu, ao ouvir escondido a explicação do narrador, como reconquistar seus poderes. A partir daí o jogador assume o comando da entidade cósmica em sua busca para tornar-se um herói, com o único objetivo de recuperar seus poderes, trazer R'lyeh novamente à superfície e destruir o mundo!


Lançado originalmente para o Xbox 360 em 2010, e com uma versão melhorada (Super Hyper Enhanced Championship Edition Alpha Diamond DX Plus Alpha FES HD - Premium Enhanced Game of the Year Collector's Edition) disponibilizada para o PC em 2011, CSTW é uma paródia/homenagem aos RPG's orientais das eras 8/16-bit, com direito a gráficos pixelados, muitos menus e trilha sonora sintetizada.

Se por um lado ficou bacana como emularam a estética e jogabilidade oldschool, por outro isso trouxe algumas características desfavoráveis dos JRPG's ao jogo, como uma história muito linear, com uma sequência de eventos bem definida que você é obrigado a seguir por causa dos limites impostos no mapa.

A grande sacada do jogo, entretanto, não reside no revival do estilo popularizado pela Square no século passado, e sim no humor que não perdoa nada, a começar pela própria mitologia criada por Lovecraft, colocando Cthulhu, uma entidade cósmica de aparência repugnante, no papel de herói que vai salvar o mundo para depois destruí-lo.


No modo principal de jogo, Cthulhu é acompanhado em suas aventuras por outros seis personagens: a groupie Umi, a espada mágica Sharpe, a necromante October, o gato alienígena Paws, o sacerdote Dacre e o dragão vermelho Ember. Uns são mais voltados para o combate físico, enquanto outros possuem foco maior na utilização de magias. Como o grupo de Cthulhu deve ser composto por até quatro personagens, cabe ao jogador decidir qual combinação se adapta melhor ao seu estilo.

Os inimigos vão de bonecas de pano a gárgulas, passando por goblins, zumbis, mechs, dinossauros e, é claro, criaturas lovecraftianas como os Deep Ones e outros monstros/entidades cósmicas: Nyarlathotep, Dagon, Shoggoth e Azathoth. Os combates tendem a ser bem equilibrados, embora em alguns casos sejam bastante difíceis, mas em caso de derrota sempre existe a possibilidade de se utilizar as "vidas extras" (1-Ups) para reviver seus personagens, o que é meio estranho, já que se pode salvar a qualquer momento, apesar do jogo não ser um FPS, como brinca Cthulhu, outra vez rompendo a quarta barreira.

Apesar da história linear e de alguns problemas de usabilidade (só se pode carregar um savegame da tela principal), Cthulhu Saves the World é um jogo bastante detalhado e divertido, repleto de piadinhas e situações absurdas, como o momento em que você enfrenta uma ponte na aventura paralela Cthulhu's Angels, um modo extra de jogo no qual você comanda outro grupo de personagens, em um enredo diferente do principal.


Com mais de 100.000 cópias vendidas no Steam, Cthulhu Saves the World é uma prova de que existe mercado fora plataformas móveis para os desenvolvedores independentes, e de que estes não precisam ficar presos apenas aos jogos casuais. Basta inovar, mesmo que isso signifique voltar a um formato antigo sem levá-lo à sério.

2 comentários:

Fabiano G. Souza disse...

Joguei um pouco ele até antes do meu desktop principal ser jogado para escanteio, e realmente é muito divertido e engraçado.

Voce jogou até o fim? Sao quantas horas de jogo?

Gustavo Coelho disse...

Joguei até o fim, mas não sei quantas horas de jogo rolaram. Segundo o site da Zeboyd Games, dá entre 6 a 10 horas de jogo na quest principal.