14 de novembro de 2011

Descobrindo BH - FIQ


And now for something completely different...

O FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos) é um evento bienal dedicado à nona arte, organizado pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura. A 7ª edição do festival ocorreu na última semana, entre os dias 9 e 13 de novembro, na Serraria Souza Pinto, e ofereceu uma programação gratuita com exposições, palestras, oficinas, bate-papos e sessões de autógrafos com artistas nacionais e internacionais.

Como acontece desde sua primeira edição, o FIQ homenageia um importante quadrinista brasileiro e um país cuja produção do gênero se destaque. Nesta edição os homenageados foram Maurício de Sousa, que também esteve no evento em 2009, para o lançamento de MSP 50, e a Coreia do Sul, representada pelos artistas convidados Hyung Min Woo (Priest) e Park Sang-sun (Tarot Café). Também presentes no evento estiveram vários convidados nacionais e internacionais como Jill Thompson (Sandman), Bill Sienkiewicz (Elektra: Assassina), Cyril Pedrosa (Três Sombras), Matt Fraction (Casanova), Fábio Moon e Gabriel Bá (Daytripper), Fernando Gonsales (Níquel Náusea), Rafael Coutinho (Cachalote), André Dahmer (Malvados), Mateus Santolouco (Vampiro Americano), Edu Medeiros (Mondo Urbano), entre muitos outros.

Diferente das edições anteriores, em que estivemos no evento apenas uma ou duas vezes, neste ano passamos pela Serraria Souza Pinto quase todos os dias. Isso não quer dizer, entretanto, que tenhamos assistido a todos os bate-papos ou participado de várias oficinas e coisa e tal. Pelo contrário. Até estivemos presentes em algumas sessões de autógrafos, como a da Jill Thompson e Bill Sienkiewicz, mas foi nos estandes dos quadrinistas independentes e na companhia dos novos e antigos amigos que passamos a maior parte do tempo.


Na quarta, primeiro dia de FIQ, passamos lá rápido, apenas para ver como estava a estrutura do evento e "fazer a feira" de uma vez. Trocamos uma ideia rápida com os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, que novamente estiveram com um estande no festival, e com o Lucas Gehre (Samba) e Alex Vieira (Prego), do coletivo Quadrinhos (IN)Dependentes. Passamos rapidinho também pelo estande do Rafael Coutinho, para conferir seu bacaníssimo projeto Gazarra, e ficamos o resto do tempo conversando com uma galera que conhecemos lá.

Na quinta a Fernanda chegou cedo para a sessão de autógrados do Bill Sienkiewicz, e acabou fazendo amizade com outros fãs que nos acompanharam o resto da semana: o alagoano André e os mineiros Matheus e Thiago. Segundo ela, deu para ver que o artista estava curtindo bastante o evento, e sua disponibilidade com os fãs a surpreendeu. Outra artista que mostrou-se muito simpática e solícita foi a Jill Thompson, que em meio às mesas do "café" instalado no festival, tirava fotos com os fãs e distribuía sorrisos, desenhos e autógrafos muito antes de sua sessão oficial, agendada para o fim do dia.

Na sexta foi bem corrido, e só tive a oportunidade de conversar bem rápido com o Edu Medeiros, que esteve lançando o quadrinho Neeb no FIQ, mas voltamos lá no sábado para encontrar os amigos do CJMG, que fizeram uma aparição especial no evento, arrastando uma multidão de pessoas que queriam tirar fotos com os malucos caracterizados como personagens de Star Wars, e conversar com outros quadrinistas independentes, como os gaúchos Pax, Azeitona e Mateus Santolouco, da Mocambo Zines. Inclusive, isso é uma das coisas mais bacanas do festival: o contato com os artistas, sejam eles independentes ou grandes nomes do mercado.


No domingo, apesar da programação interessante, com direito a bate-papo com a Jill Thompson, ficamos meio desanimados de voltar ao FIQ porque no sábado à tarde o local ficou abarrotado de gente. A organização do evento estima que no penúltimo dia do festival cerca de 25.000 pessoas passaram por lá e, embora isso tenha o lado positivo de divulgar os quadrinhos para um público maior, e até mesmo conquistar novos entusiastas, percebia-se que muita gente foi apenas de farra. Como um cachorro que encontra a porta da igreja aberta, muitos entraram na Serraria Souza Pinto sem saber o que faziam lá e, infelizmente, de lá saíram da mesma forma.

Apesar do calor, foi bom ver o FIQ voltar à Serraria Souza Pinto. Embora a edição anterior tenha contado com o charme do Palácio das Artes, a realização do evento num espaço único trouxe de volta a vantagem de você poder transitar entre os estandes e exposições sem precisar se deslocar muito. Ficou bacana também o fato de terem reservado um espaço exclusivo para as sessões de autógrafos, embora a organização das filas tenha ficado meio bagunçada quando resolveram unificar todas em uma só. As exposições, apesar de muita coisa repetida da edição anterior, estavam bem bacanas, assim como a programação bem extensa e variada. De sugestão para uma próxima edição, fica a de separarem um espaço maior para o auditório e, principalmente, não cobri-lo completamente, para que as pessoas de fora possam acompanhar o que está rolando.

Como alguém que esteve desde a primeira edição, é bom ver o quanto o FIQ cresceu e se firmou como um dos eventos mais importantes do gênero no país. Só acho meio estranho que a organização de um evento sobre quadrinhos realizado em Belo Horizonte não tenha até hoje homenageado Lacarmélio de Araújo (Celton), uma das figuras mais folclóricas dos quadrinhos na cidade, mas essa conversa fica para outro dia...

Serviço:

4 comentários:

Fabiano G. Souza disse...

Ótimo relato. Esse ano foi o primeiro FIQ que náo pude ir, mas sem dúvida pelo melhor motivo do mundo! :)

Camila in the sky with diamonds disse...

Uma das coisas que realmente mais me deixou chateada, como citado acima, foi o fechamento por completo do espaço para conversas. Conversas "disputadas" como a do Mauricio de Souza, eram impossíveis de até se ouvir. No mais, o evento estava maravilhoso. Organizado, e bem melhor que a edição anterior. A possibilidade que a FIQ nos deu de conversar e conhecer de uma maneira natural varios artistas de varios lugares foi inigualavel.

Yzza Chan disse...

Uma das coisas que achei interessante em ser na Serraria, foi que o evento atraiu mais o "povão", e creio que um dos objetivos do evento é popularizar a cultura, coisa que no Palácio não acontecia. Parece que as pessoas ficam intimidadas pelo porte do Palácio. O ponto ruim foi como você disse, Gustavo, de gente que entrou por entrar e não absorveu nada do evento.
Acredito que a organização não previa tanta gente por lá e, por isso, o espaço não foi suficiente.

Outro ponto negativo foi o Painel Marvel. O pessoal da Marvel foi muito bacana e divertido, mas as perguntas que foram feitas a eles foram as mais idiotas possíveis... e as boas perguntas que vi que o pessoal, como o André e o Thiago, ia fazer ficaram de fora...

Mas enfim, apesar dos contras, é um importante evento cultural para BH, e espero que as próximas edições sejam mais bem planejadas... xD

Aayla disse...

Corroboro com tudo o que vcs disseram e o que percebi de diferente no evento foi a proximidade com os artistas. Todos eles pareciam muito felizes e pacientes. Em comparação com eventos anteriores, a interação com mais pessoas participantes também foi mais intensa/próxima... e isto eu não havia conseguido nas edições anteriores. Por isto, a lotação teve seu lado bom! Mas, por Yoda, ano que vem tem que ser no EXPOMINAS, rssss... #MTFBWY