28 de janeiro de 2015

Press Start - The Last Express

Press Start - The Last Express

Paris, 24 de julho de 1914. À porta do vagão de um trem, um homem aguarda ansioso. São quase 7h15 e o Expresso do Oriente está prestes a deixar a Gare de l'Est rumo a Constantinopla. Desconsolado, ele retorna à sua cabine no momento em que a viagem de dois dias e meio se inicia.

Instantes depois vemos uma motocicleta aproximar-se do trem. Ignorando o perigo, um homem salta na direção de um vagão, agarrando-se à escada a ponto de apenas despedir-se da bela ruiva que lhe deu carona.

O homem destemido é Robert Cath, um jovem médico americano que embarcou no Expresso do Oriente a pedido do amigo Tyler Whitney. Qual o motivo da urgência não se sabe. Cabe a você, agora a bordo do opulento trem, descobrir.

Press Start - The Last Express

The Last Express é uma aventura gráfica de 1997, desenvolvida pela extinta Smoking Car Productions e publicada pela Brøderbund. O jogo é obra de Jordan Mechner, criador do clássico Prince of Persia, e ironicamente é fruto do período sabático que o designer passou em Paris.

Como em muitas aventuras gráficas da época, a visão do jogo é em primeira pessoa. A movimentação e interação baseiam-se em um cursor único, que muda de acordo com a ação disponível, e o mais inusitado: a todo momento é possível voltar no tempo – recurso que Mechner repetiu em Prince of Persia: The Sands of Time – para corrigir algum erro ou tentar outra abordagem em determinada situação.

Entretanto, o elemento mais importante e que faz de The Last Express uma aventura gráfica pouco convencional e mais complexa é o fato de que a história se desenrola em uma espécie de tempo real acelerado, com eventos acontecendo e os personagens agindo de forma independente. Isso dá vida ao jogo, mas insere um problema que é o fato de que às vezes você fica sem ter o que fazer, pois não há ninguém com quem interagir.

Press Start - The Last Express

Apesar dos gráficos em baixa resolução e um pouco datados, The Last Express é um jogo bonito. Os cenários foram ricamente modelados para transmitir o ambiente dentro do trem, e os artistas chegaram a um nível de detalhe tão grande, que replicaram integralmente o interior de um vagão que supostamente fez parte do Expresso do Oriente.

Os personagens, por sua vez, foram ilustrados no estilo Art Nouveau, o que também acaba reforçando o período histórico no qual o jogo se passa, por ser o estilo de arte em voga na época. De forma semelhante ao que foi feito em Prince of Persia, as animações foram feitas com o uso de rotoscopia. O problema, talvez pela limitação de recursos da época, é que muitas delas ficaram limitadas a poucos quadros, o que é meio estranho no início, mas em pouco tempo você se acostuma.

Mesmo sendo a arte um dos pontos mais fortes e exaltados do jogo, foram as dublagens que me chamaram mais a atenção, pois os 30 personagens a bordo do trem, todos eles representando diferentes povos da Europa no limiar da Primeira Guerra Mundial, conversam em suas línguas nativas. Daí o que não faltam são diálogos em francês, alemão, russo, árabe e sérvio.

Press Start - The Last Express

The Last Express foi um projeto ambicioso que, apesar da boa recepção da crítica, foi um fracasso de vendas. Alguns justificam isso com a queda de popularidade das aventuras gráficas na época, mas o que talvez tenha mais influenciado foi a falta de divulgação do jogo, por problemas no departamento de marketing da Brøderbund.

Com influências óbvias de Assassinato no Expresso do Oriente e Relíquia Macabra (O Falcão Maltês), e uma pesquisa histórica bastante meticulosa, The Last Express tem uma história de mistério, romance e intrigas bem bacana, digna da última viagem do Expresso do Oriente antes da Primeira Guerra.

Apesar de ter ouvido falar de The Last Express há mais tempo, só fui jogá-lo agora e já o incluo na lista dos meus favoritos. Torço para que algum dia ainda façam um remake à sua altura e, mesmo que isso não aconteça, não vejo motivos para não repetir esta viagem de Paris a Constantinopla, a bordo do maior símbolo de luxo, poder e decadência do início do século passado.

- Ouvindo: Nothing - Downward Years To Come

3 comentários:

Fabiano G. Souza (Nerdmor.com) disse...

Realmente parece muito bom. Conferirei. O meu estava pegando poeira digital. :)

Gustavo Coelho disse...

Minha "estante virtual" já está quase dando mofo, de tanta coisa esquecida :-)

Fabiano G. Souza (Nerdmor.com) disse...

Acabei dando uma chance nele no iPad. É um jogo interessante, bem sui generis. Mas ainda não terminei. A não linearidade dele muitas vezes deixa a gente meio perdido.