16 de abril de 2015

Press Start - Guacamelee!

Press Start - Guacamelee!

Meu nome é Calaca, mas em outra vida eu fui conhecido como El Charro. La Gran Charreada era tudo para mim, mas um dia antes da competição eu quebrei o braço. Sem pensar duas vezes, vendi minha alma ao Diabo e me consagraram campeão.

Mas o Diabo é traiçoeiro, e no momento da minha glória eu fui arrastado para o Mundo dos Mortos. Com a ajuda de X'Tabay, eu transformei o traidor em um galo e agora comando os seus domínios.

Em breve o Mundo dos Vivos e o Mundo dos Mortos serão um só, e todos viverão para me adorar!


Já comentei aqui, mas o motivo que me levou à TI foi o desejo de desenvolver jogos. Meus primeiros experimentos foram com dungeon crawlers, e estes naturalmente começaram a evoluir para um CRPG. Só que o projeto foi engavetado por um motivo simples: não havia história.

Os testes com uma aventura gráfica morreram pela mesma razão, mas bem mais rápido por também exigir um nível de proficiência que eu não tinha. O jeito então foi encarar outro gênero que me agradava bastante na época: os platformers.

Graças ao DelphiX eu cheguei a prototipar algumas coisas, mas a ideia de outro italiano bigodudo pulando por aí não me parecia tão interessante assim para seguir com o esforço, e novamente o destino da iniciativa foi a gaveta.


A onda retrô / saudosista que hoje dá um novo gás aos CRPG's e aventuras gráficas começou com os platformers. Diferente das minhas frustradas experiências, os expoentes atuais do gênero fogem um pouco do modelo Super Mario Bros., inserindo mecanismos geniais como a possibilidade de rebobinar a ação em Braid ou girar o cenário em Fez.

Guacamelee! também presta suas homenagens aos platformers das gerações 8 e 16-bit, mas parece muito mais influenciado por God of War, com o personagem principal – Juan – enfrentando onda após onda de inimigos dos mais variados tipos e tamanhos, a fim de derrotar Calaca e salvar o mundo.

O jogo tem um estilo visual bem bacana e marcante, que lembra um desenho animado. A trilha sonora também é caprichada, mas o design das fases sofre do mesmo mal que muitos platformers atuais: a necessidade de realizar saltos com um timing e posicionamento perfeitos. Pisou um pouco depois ou pulou um pouco antes, já era!


Os desenvolvedores recomendam a utilização de controles, mas o meu joystick não foi reconhecido, e o jeito foi atravessar aquele México folclórico usando o teclado. O problema é que, diferente de um Castlevania, onde você praticamente se limita a pular e atacar, em Guacamelee! não faltam botões de ação – e inúmeras combinações entre eles – para se confundir: pulo, ataque, ataque especial, mudar de forma, alternar entre realidades, etc.

Guacamelee! é outro platformer independente que se destaca, porque é impossível não notar o esmero com o qual o jogo foi feito. Entretanto, é praticamente obrigatória uma boa dose de masoquismo para engolir a frustração e continuar tentando atravessar precipícios intransponíveis ou sair vivo de uma sequência apelativa de ondas de inimigos. Eu não tenho mais essa paciência.

- Ouvindo: Viet Cong - Silhouettes

2 comentários:

Fabiano G. Souza (Nerdmor.com) disse...

Esses jogos masoquistas estou fora. Uma pena esse ser do gênero.

Gustavo Coelho disse...

Não é tão frustrante quanto Rogue Legacy, mas ainda assim faz muita raiva :-)